03 fevereiro 2017

Amizade - simples assim














Minha menina é admirável. Tenho nela o prêmio de sabê-la menos a garota que fui e mais a que queria ter sido.
Volta e meia às voltas com envoltas questões relativas à amizade, traz ares de conciliadora. Crê no diálogo como dissolução de mazelas.
Não sei de onde tirou essa ideia!!!
Brincadeiras à parte, outro dia eu fiz a ela o lendário discurso: a amizade é um “tipo” de amor.
– “Tipo” assim bem ciumento, né, mãe?!
Alguém discorda?
Tenho por história minha pra contar que cresci com uma amiga que gostava de falar: “nas brincadeiras é que se diz as maiores verdades.”.
            É bem verdade que, agora, a essa altura da vida, eu lhe pediria que conceituasse “verdade”...
            Todo mundo tem amigos. Não entrando igualmente no conceito de “amizade”, o que estou tentando dizer, tomo-o emprestado de Mario Quintana: “Não te abras com teu amigo/ Que ele um outro amigo tem/ E o amigo do teu amigo/ Possui amigos também”.
            Após podas e colheitas, umas tão frutíferas quanto as outras, penso que os amigos não o são nem se fazem por merecer pelo tanto de verdade que nos digam.
            Poder-se-ia dizer aqui que o importante, na verdade, sobre a verdade, é a verdade em que ela se funda... ou no quanto de prática a bela teoria em que ela se funda venha a existir. Mas, não estou aqui para, por minha vez, fundar meu discurso em pseudomoralismos.
            Amigos simplesmente acontecem. Desperdiça-se demasiado e raro tempo – que não voltará – tentando explicar o verdadeiramente inexplicável.
            No meu íntimo, sei que quando falo a esse respeito são duas ou três pessoas que me surgem à mente.
Se, por um lado, isso soa um tanto quanto solitário, por outro, a mim particularmente, comprova “tipo” que meio que entendi o significado da “coisa”. Meio.
            E tudo bem que “meio não é inteiro”, como “noventa e nove não é cem”, do jeito que ouço, brincando, dizerem por aí. Tudo bem, afinal, já é um baita começo!
Da mesma forma que “uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”, do jeitinho que meu irmão, brincando, gosta de sempre dizer. Tudo bem – de verdade – pois, realmente: embora uma coisa se transforme, ainda que siga sendo uma coisa, será outra coisa, pois, será a coisa outra transformada! Simples assim.


Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br

            

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